quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Carrossel de Alvos!
Victor também não retornará. Intrometida e - agora residente - bala, que mudou tão-somente algumas centenas de rotinas. Hoje, perturbado, devaneio em texto sobre essa estupidez. Ontem, missa de sétimo dia. Trotes e e-mails com piadas estão momentaneamente proibidos (por mais uns dias, talvez).
Aquele estampido, por uma semana, ecoou incessantemente em meus ouvidos. De maneira cristalina e sem rodeios, bradava: “é vida real, companheiro. Acorda!”. Pouco mais de trezentas pessoas foram atingidas por balas deliberadamente perdidas no Rio em 2008. Média de quase uma bala intencionalmente perdida por dia, desconsiderando os casos de balas propositalmente perdidas não-registrados.
É como se vivêssemos num carrossel. Giramos maquinalmente ao léu, destinados a certeira bala-perdida. E assim seguimos. Hoje, - quem sabe? - me esquivei de algumas dessas pretensiosas balas perdidas.
Vitor fugiu enquanto pôde, até virar número. Hoje é arquivo. Arquivo morto, se me permitem o funesto trocadilho. Uma semana, não há culpados. Não há interessados. E quê dizer de responsáveis pela aferição de mais um caso de uma dolosa bala perdida. Nada.
O coronel da PM do Rio interpretou o assassinato como “fato isolado”. O delegado, ao que parece (falo pelo que ouvi de parentes), resolveu investigar o caso apenas após divulgação na imprensa. E, embora a mídia tenha entrado no circuito, segue uma morosa e obliterada investigação. Praxe nesta cidade em que são recorrentes os “acidentes” com as dissimuladas balas perdidas.
Nada mudou e nada mudará, além de uma semana da minha rotina. Hoje, apenas esta uma hora elaborando medíocre texto, derradeiro esperneio de quem se resignou há alguns meses com esta rotina. Amanhã, nem isso, no máximo uma hipócrita passeata pela paz, ou uma contra impunidade. Soa irônico, mas “vida que segue”. É o que dizem.
Oblíquas balas perdidas permanecerão a cortar os céus do Rio. E, como aqueles patinhos das tendas de festas juninas, seguiremos gravitando, perfilados a outros patinhos, à espera apenas de sermos abatidos por retumbante tiro de espingarda – disparadora de outra precisa bala perdida.
O acertador leva o prêmio.
ps: perdoem -me pela mensagem desalentadora. ela expressa um momento. Quem sabe amanhã com mais vitalidade?!
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Aplausos na medida certa.
Veja! é hoje a mais venal revista política do país. Provavelmente atingiu o fundo do poço na deturpada biografia sobre Che Guevara. Mas Veja! desta vez teve arrojo e precisão, sobretudo pelo confuso momento vivido entre imprensa e justiça eleitoral. Qualidades de quem já publicou edições históricas, como o “dossiê tortura”, em plena ditadura; e a famosa entrevista com Pedro Collor.
Veja! continua indigesta, quase intragável. Mas acertou em cheio: um atávico lapso de lucidez, de um semanário outrora indispensável.
(A propósito, não li nenhum daquelas "edições históricas" supracitadas)
quarta-feira, 26 de março de 2008
TSE proíbe campanha on-line
O TSE acaba de proibir toda comunicação política eleitoral via YouTube, Orkut, Twitter. É possível que, dependendo da interpretação que se dê à resolução, um cidadão – qualquer cidadão – se veja proibido de manifestar suas opiniões políticas em seus blogs pessoais com banners. É como proibir o sujeito de vestir a camisa de seu candidato ou pendurar um button na lapela.
No momento em que campanhas eleitorais em todo o mundo aumentam seu escopo, atingem públicos que jamais atingiram, levam os mais jovens às urnas em massa, o TSE joga o Brasil repentinamente na Idade da Prensa de Gutenberg.
O pior, certamente, é que não houve má fé. Houve incompreensão. Aos 63 anos, é bem possível que o ministro relator Ari Pargendler não saiba distinguir um YouTube dum Yahoo!; um Orkut dum BitTorrent. Sua boa intenção é evidente: quis proibir o spam.
Mas, ao tentar impedir o abuso, inviabilizou qualquer campanha eleitoral que sirva para agregar a população em seu direito pleno de se informar, se relacionar, se organizar politicamente, trocar idéias para então escolher. Ao confundir um perfil no Orkut ou um canal no Twitter com um galhardete que suja a cidade ou mensagens mil que entopem a caixa de email, o ministro proibiu que os candidatos circulem nas ruas da Internet e se manifestem em busca de seus eleitores da mesma forma que fazem nas ruas das cidades, pessoalmente.
No Brasil de 2008, Barack Obama e Hillary Clinton não poderiam fazer a belíssima, disputada e plenamente democrática campanha que fazem e a blogosfera política norte-americana, partidarizada como é, sustentada com propaganda eleitoral, não poderia agir e organizar eleitores.
via Blog do Sergio Amadeu (blog Pedro Doria)
terça-feira, 18 de março de 2008
Defendendo o Gerúndio
Que raiva toda é esta que cai sobre o gerúndio? Que mal faz ele à nossa língua, e, principalmente, por que todos os manuais de jornalismo explicitam: “Gerúndio, nunca. E nunca significa nunca”. Armando Nogueira dizia assim, “o desespero é que o meu nome é um gerúndio...Armando !”. Coitado dele. Tem de conviver com esta infâmia, esta mancha encardida em seu nome.
Intrigado com esta perseguição, perguntei a Deus (Google): “O que há de errado com o gerúndio?”. Deus me iluminou com alguns milhares de resultados.
Aparentemente, a culpa é do telemarketing (sempre o telemarketing...). E, de fato, senti arrepios quando li: (leia com o nariz tapado, por favor. O efeito será devastador)
"Vou estar transmitindo o recado ao doutor fulano";
"Vamos estar remetendo uma segunda via do documento pelo correio";
"Vamos estar encaminhando o seu caso à nossa gerência administrativa";
"A gerência vai estar estudando o seu caso";
''Um minuto, que eu vou estar transferindo a ligação".
Bem, neste caso, concordo. O gerúndio é uma tradução mal feita do inglês “ing”. I will be sending, You will be comming... Mas nem sempre será desta forma.
Por exemplo: em português lusitano, diz-se: “Óh, gajo, eu estou a fazer o que me pede.” Ao contrário, no gerúndio dizemos: E aí, mermão, eu estou fazendo essa parada aí.
É verdade que o vocabulário e o coloquialismo destes nossos personagens são bastante exagerados. Entretanto, estamos vendo (estamos a ver) um exemplo claro de um gerúndio inofensivo. Ele não machuca os ouvidos, não morde e não é um empréstimo mal feito da língua inglesa. Muito pelo contrário, ele é uma modificação natural do português brasileiro que o difere de seu parente europeu.
Portanto, Armando, não se sinta mal. Os manuais de jornalismo é que são muito intransigentes.
segunda-feira, 17 de março de 2008
A arte de Dirigir pelas ruas do Rio de Janeiro
Já houve um tempo em que os cariocas podiam se gabar dos paulistas por causa dos engarrafamentos intermináveis da megalópole. Hoje, porém, podemos nos compadecer de nossos vizinhos, sentar e chorar ao seu lado, pois já estamos no mesmo barco. O termo caótico, inclusive, não é mais suficiente. Precisamos de algo novo. Trânsito caótico tínhamos há cinco anos atrás, agora nem mais sei o que temos; não sei nem se podemos chamá-lo mais de trânsito. Quem fica parado não está transitando. Esta parado e ponto.
Lembro do Casseta&Planeta, que numa prova de humor indiscutível, abordava motoristas engarrafados: “Você já pagou o IPTU do seu carro?” E o motorista, perplexo, perguntava: “IPTU? Você quis dizer IPVA”. “Não”, respondia Hélio de la Pena, “Seu carro é imóvel. Agora paga IPTU”.
Eu sei, eu sei. Não é tão bom assim, mas na hora eu morri de rir.
Bom mesmo foi o Seinfeld, que comparou a procura por uma vaga em Nova York com um jogo de Dança das Cadeiras, mas que todos já haviam “sentado” na década de 80.
Sempre que passo por Copacabana me lembro desta piada. Capacabana, por sinal, que abriga a Rua Nossa Senhora que Engarrafamento! Outro clássico...
quinta-feira, 13 de março de 2008
'Garoto magnético' trava computadores de escola dos EUA
Muitos fatores podem desencadear este tipo de problema e gerar as variações na eletricidade estática: o tipo de roupa que as pessoas usam, se usam calçados com solas isolantes, se esfregam os pés no tapete, ou se realizam alguma atividade que envolva muita fricção.
A professora então colocou um forro embaixo do computador que funcionava como um fio-terra e também colocou uma pulseira antiestática no braço direito de Falciatano.
Sempre ouvi dizer que fazia crescer pelo nas mãos, mas eletricidade estática é novidade.
Perfís eleitoreiros
Li recentemente que quase metade dos presidentes brasileiros ostentavam um belo bigode. O Brasil, no fim, possuiu mais "bigodons" no seu comando do que o México.
EUA:
100% de todos os presidentes norte-americanos foram homens brancos;
38 dos 43 presidentes tinham olhos azuis ou verdes.
Dos cinco com olhos castanhos, dois sofreram processos de impeachment e os outros três não alcançaram um segundo mandato.
Apenas 20% da população norte-americana tem olhos claros. (retirado do blog Pedro Doria)